Construindo um receptor infravermelho

Este post baseia-se no artigo postado no Viva o Linux e criado por Andrei, e tem por objetivo complementar o original focando na criação do receptor infravermelho. O mesmo pode ser usado pelo lirc para controlar alguns programas através de um controle remoto comum.

Tentarei ser bastante claro, porém, ter algum conhecimento em eletrônica pode ajudar no processo de criação do receptor.

O esquema do circuito a ser montado é mostrado abaixo:

 

 

O mesmo esquema com outra visualização:

 

 

E o layout resultante do esquema acima:

 

 

Componentes necessários:

– IR Receiver: ZD1952 5mm IR Receiver (ou algum dos modelos suportados).

-- Especificação e pinagem do ZD1952: http://www.jaycar.com.au/products_uploaded/ZD-1952.pdf

OBS.: O receptor de infravermelho usado neste post não foi o ZD1952 pois o mesmo não foi encontrado. Acabamos utilizando um receptor IR genérico encontrado no site da lasershape que funciona perfeitamente com o lirc.

Segue a imagem do receptor usado e sua pinagem:

 

 

– C1: 4.7uF 25V Capacitor Eletrolítico;
– R1: 4.7K Resistor (Amarelo-Violeta-Vermelho);
– D1: 1N4148 Diodo;
– U2: DB9 Conector Serial Fêmea com capa;
– U1: 78L05 +5V 100mA Regulador de Voltagem;

-- Especificação e pinagem do 78L05: http://www.national.com/ds/LM/LM78L05.pdf

Material necessário para construção da placa:

– Placa de fenolite, face simples, tamanho 10×10 (ou um pouco menor – soldaremos os componente nela);

– Percloreto de ferro (usado na corrosão da placa de fenolite);

– multímetro digital (usado para ver se a trilha ou fio estão conduzindo);

– Ferro de solda, solda e sugador (usado para soldar os componentes na placa, o sugador ajuda a refazer uma solda ruim, removendo a anterior);

– Perfurador de placa de fenolite ou furadeira com broca de 1mm (usado para furar a placa de fenolite nos locais onde serão os terminais dos componentes);

– Caneta retroprojetor (a mesma usada para escrever em cd) e papel carbono (usado no desenho do layout na placa de fenolite);

– Lã de aço (bombril) e durex (usado na limpeza da placa e para fixá-la em uma superfície plana);

– Lâmina de serra (usada para cortar o que restou da placa sem o layout);

– Fita dupla face ou isolante (usada para evitar que os fios do cabo quebrem);

– Cabo com no mínimo 3 fios (pode ser de mouse, teclado, etc, será o cabo que conectará o receptor ao micro);

OBS.: Se possível, consiga os itens acima com algum conhecido que trabalhe com eletrônica. Dependendo, se o uso for somente neste projeto não vale a pena comprar tudo. Os materiais como percloreto, placa, etc, podem ser encontrados em lojas de eletrônica.

1. PREPARANDO A PLACA

1.1. Fixe a placa de fenolite em uma superfície plana com a face cobreada voltada para cima. Utilize o durex para a placa não mover.

1.2. Utilize o bombril para “limpar” a placa, deixando-a bem brilhosa.

1.3. Após ter impresso o layout mostrado, utilize o carbono para desenhá-lo na placa de fenolite.

OBS.: Você deve desenhar nas costas da folha impressa, ou seja, a parte impressa da folha do layout deve estar em contato com a face cobreada da placa de fenolite. Evite desenhar no meio da placa, tente ajustar o desenho em um canto para que depois seja possível cortar o que sobrar da placa. Se for um bom pedaço poderá usá-la em outro projeto.

1.4. Com o layout transferido para a placa através do papel carbono, utilize o furador (ou perfurador) para criar as ilhas na placa, furando-a nos locais onde entrarão os terminais dos componentes. Observe o layout, as ilhas são os pontos vermelhos enquanto as trilhas são as linhas que “ligam” as ilhas.

OBS.: Tome cuidado para não apagar o layout da placa nesse processo.

1.5. Com a placa furada, passe a caneta retroprojetor por cima de todo o desenho criado pelo papel carbono. Não deixe as trilhas muito finas e circule com a caneta ao redor das ilhas (furos).

1.6. Usando a lâmina de serra, corte as partes sem uso da placa (em volta do layout), para usá-la em outro projeto e não gastar percloreto à toa.

O processo é bastante simples. Aonde há tinta da caneta retroprojetor o percloreto não corrói, o resto que não tem tinta é corroído e não fica na placa. Ao final do processo o resultado é: somente as ilhas e trilhas continuam com o cobre, permitindo deslocamento de elétrons (condução) somente nestes locais.

2. CORROENDO A PLACA

O percloreto de ferro, geralmente vendido em forma de pó, será o responsável por corroer o cobre da placa de fenolite. Deve ser misturado com a água e a placa deve ser mergulhada com a face cobreada para baixo e ficar “boiando” na solução. O procedimento pode variar, portanto, leia o manual que vem com o produto.

OBS.: O percloreto de ferro deve ser manipulado com cautela, evitando contato com a pele e roupas. Antes de continuar, leia sobre os cuidados aqui.

2.1. Após mergulhar a placa na solução corrosiva, aguarde uns 5 minutos e verifique se somente as trilhas e ilhas permanecem na placa. Se houver ainda algum resquício de cobre fora do layout desejado, aguarde mais um pouco. Não deixe muito tempo, pois, o percloreto poderá acabar corroendo a tinta e então as ilhas e trilhas.

OBS.: Utilize pedaços de madeira e arame para ver se a placa foi corroída. Evite usar as mãos.

2.2. Se não houver mais restos de cobre que não sejam das trilhas e ilhas, pode remover a placa da solução de percloreto de ferro e deixá-la sob água corrente. Lave-a bem e por fim repita o passo 1.2 limpando a placa com um bombril molhado, deixando o circuito bem brilhante. Quando acabar seque a placa com um pano.

3. SOLDANDO OS COMPONENTES

3.1. Os componentes devem ser encaixados no lado oposto ao lado cobreado, para que seus terminais possam ser soldados nas ilhas. Antes de tudo, compare o desenho na placa com o layout impresso e identifique onde vai cada componente com a posição correta. Exceto o resistor, todos os outros componentes tem uma posição específica, ou seja, trocar ou inverter os terminais dos mesmos pode resultar em problemas.

3.2. Após ter verificado e inserido o componente no local correto é necessário soldá-lo à placa. Insira os terminais dos componentes no lado oposto ao cobreado e gire a placa, de modo que você esteja olhando para a face cobreada. Você vai precisar da solda, ferro de solda e, para auxiliar caso erre, sugador de solda. Se não tem prática nesta parte, leia estas técnicas de soldagem, pois o processo está bem explicado.

Abaixo temos a placa com os componentes soldados:

 

 

3.3. Utilize o multímetro para saber se não há trilhas em curto. Geralmente, quando as ilhas estão muito próximas é possível que a solda de uma ilha encoste na outra, gerando um curto. Se não conhece o funcionamento do multímetro, leia como utilizá-lo. No final deste artigo é mostrado como verificar o curto entre dois pinos de um cabo, mas é possível fazer o mesmo em ilhas, trilhas, pinos, etc.

Você pode optar por soldar o cabo que será ligado ao micro diretamente na placa ou fazer algum tipo de encaixe. No exemplo, utilizamos a segunda opção fazendo uso de uma barra de pinos retirada de outra placa e conectores de led/speaker de placa-mãe ou cd-rom. Isso ajuda em mobilidade e futuros consertos.

4. CONSTRUINDO O CABO

4.1. Como dito, o cabo pode ser de um mouse ou teclado usados, e usaremos somente três fios dele. Vou pressupor que a parte que liga o cabo à placa está pronta, pois, ou você soldou diretamente os fios na placa ou usou os conectores de led, e isso é só encaixar ali e está pronto. O cuidado que deve ter é respeitar a conexão dos pinos mostradas no layout.

Vamos imaginar que o cabo tem três fios de cores verde, branco e vermelho. Se você soldou/conectou o fio verde no pino 1 mostrado na placa, obviamente, o mesmo fio verde deve ser conectado ao pino 1 do DB9. O mesmo vale para os outros fios, se o branco foi ligado ao 7 da placa, ele também deve ser ligado ao 7 do DB9 e a mesma lógica para o vermelho. O cabo nada mais é que uma extensão que liga a placa ao micro.

Abaixo temos a pinagem do DB9:

 

 

4.2. Solde os fios no db9 conforme a posição mostrada no layout:

Pinos no DB9 Ligação na placa
Pino 1 Sinal (Signal) do receptor ir
Pino 5 Terra (Common ou GND)
Pino 7 Ligação para o diodo 1N4148

Após soldar o cabo, utilize o multímetro para ver se a pinagem está correta e se não há curtos. Feito isso, coloque a capa no DB9. Abaixo temos a imagem do cabo concluído:

 

Utilizei fita isolante entre o cabo e a capa do db9 para que os fios (que são muito finos) não quebrem com a movimentação do cabo, fiz o mesmo na parte do cabo que é conectada à placa.

CONCLUINDO

Está feito! Se tudo ocorreu como esperado o cabo e a placa estão montados e funcionando (testaremos em outro post). Para ficar 100%, tente achar algum recipiente para colocar a placa (caixa de acrílico, plástico, ou algo assim), para que não tenha problemas de sujeira e curtos com a placa.

Após muito tempo sem ideias de onde guardar a placa, resolvi usar a caixa da fonte de um modem adsl antigo que não funciona mais. Fiz uns buracos para que o sinal consiga chegar ao receptor, fixei a placa com durepoxi e fixei a caixa com fita dupla face em cima do gabinete.

Seguem as fotos do resultado:

 

A caixa ficou meia boca mas ainda é melhor do que a placa rolando por aí ;).

Infelizmente, o post poderia ter ficado mais ilustrado mostrando imagens de cada etapa da confecção do circuito receptor, porém, quando começamos a montagem (assolan, adriano e eu) nem pensávamos em documentar isso futuramente, só queríamos ver o aparelho funcionando.

Então é isso, o projeto não é difícil de ser feito e o resultado é no mínimo muito legal, pois é possível gerenciar várias funções do seu computador através do controle remoto, desde aumentar o volume até simular um mouse com as teclas.

Referências

http://www.vivaolinux.com.br/artigo/LIRC-Linux-Infrared-Remote-Control/
http://lnx.manoweb.com/lirc/

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Publicado em windows/linux

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